Caindo os 'butiá' dos bolso!

Bom, creio eu, que todo bom projeto chega num ponto que começa a surpreender o próprio autor.

Pois, o meu, está me deixando cada vez mais apaixonada e surpresa com o que os entrevistados estão me relatando!

O trabalho da Lena e do Tear é, realmente, muito especial! Não que eu já não o soubesse, mas é um fato que me deixa cada vez mais impressionada!

Estou terminando de traqnscrever a entrevista muito proveitosa com o Fiapo Barth. Amanhã, vou entrevistar a Sonia Coppini e, terça, o Flávio Bicca.

Estou chegando ao fim desta fase que está me rendendo frutos.

O barco está indo a todo vapor, de vento em popa!

Entrevistas

Estou seguindo com as entrevistas e, a cada bate-papo mais claro fica, pra mim, a relevância deste projeto. E, por conseqüência, mais aumenta a minha responsabilidade em contar bem esta história.

As entrevistas com a Angela Gonzaga e o Marco Fronchetti, nesta semana, foram um prazer incrível! Foram horas de papo e lembranças gostosas e cheias de emoção. Aliás, falar sobre esta peça suscita muita emoção.

Ainda tenho, esta semana, um encontro com o Roberto Mallet que não vejo há uns 20 anos! Ele foi escriba da montagem e deve ter muita história boa pra contar.

E segue o barco...

'Síndrome de pós-qualificação'

No momento, dizem que é de praxe, estou um tanto travada com a tal da 'Sindrome da pós-qualificação'.

Porém, felizmente, quem tem amigos tem tudo! E minha querida amiga e colega Helena Mello conseguiu registrar quase estenograficamente, todas as falas da minha banca! E esse relato está me auxiliando bastante. Melhor impossível!

"Palmas para os vagabundos

Pensei que pudesse estar atrasada para a qualificação da Betha. A última vez que cheguei calmamente ao departamento, meu relógio estava errado. Mas, sai sem tomar café e precisava pelo menos comprar uma água. Cruzo a porta e esbarro na Betha sorridente com aquele chaveiro fashion laranja na mão. Éramos as primeiras. Mas, não demorou muito para que já estivéssemos na sala. Além do Gil, na banca a Silvana Goellner da ESEF, a Mirna e a Inês Marocco. (...)

Na “platéia” Rô, Cibele, Laura, Dani e eu.

A Betha parecia tranqüila e disse que, numa época de circulação do vídeo da Vanusa cantando o Hino do Brasil todo errado, o melhor seria ler o texto que ela havia escrito. Mas, ela fez isso de um jeito muito leve, entremeado de comentários que até agora não sei se estavam lá escritos ou se ela foi falando de improviso.

Teceu elogios rasgados a toda a turma. Falou até da Sede, o que fez com que a Mirna se virasse para mim e perguntasse: “é a tua casa?”. Daí, nossa mestranda vestiu a camiseta do projeto, literalmente falando. Linda por sinal. (Betha, pode me dar uma no Natal). Começou a apresentação do seu Power point. O texto A cotovia de Laurie Anderson, nossos já tão conhecidos Marco de Marinis, Bakhtin, Kristeva e chegava a hora de um vídeo sobre os catadores de lixo. Estávamos no ano de 1982. Situação política e teatral. Bom, não vou ficar descrevendo slide a slide se não vão ser muitas páginas. Mas, algo que eu achei engraçado é que mesmo quando a Betha esquecia as palavras parecia que fazia parte da pesquisa. Afinal, ela disse que falaria da memória.

Fotos do espetáculo. Música: “Nesta longa estrada da vida...”. Gil bate palmas. Mirna chora. Sim! Lágrimas escorrerem pelo rosto. Betha, visando a qualificação, além de colocar água nas mesas para a banca (sabe-se lá com que substância, uma encomenda feita para a Inês da Bolívia, como ela mesma disse), também tinha lenços de papel para oferecer para a nossa “flor de maracujá”.

Só então, a banca foi para os seus devidos lugares e a professora convidada começou. “É maravilhoso o que tu estás tentando fazer...” (como eu gostaria de ter escutado isso em algum momento...) Algo que considero mereça registro é que Silvana disse que no campo da historiografia parece que a cultura não tem importância nenhuma. Não tinha! Isso foi antes desta pesquisa. Também comentou que a palavra mais precisa não é “recuperar” o espetáculo, mas, “reconstruir”. Fez questão de destacar a autoria, o envolvimento com o tema e disse que é muito importante este exercício de distanciamento e aproximação que está sendo feito neste trabalho. Registrei em minhas anotações outra palavra que acho que todos nós precisávamos ouvir: parabéns. Sugeriu garimpar as fontes. Comentou o impacto que a pesquisa causará na cena gaúcha e do quanto isto é produtivo. E disse categoricamente e gentilmente: tens um tema, mas, não tens um problema! (Isso me lembrou algo...). Perguntou: o objeto da pesquisa é o espetáculo ou a Maria Helena Lopes? Disse que é preciso deixar claro o que vai ser de fato olhado e o que vai ser reconstruído. Falou que as perguntas das entrevistas estão vagas e criticou a palavra “coisa” em uma delas. (Que coisa tu lembras da peça?). Observou que a memória é algo vivo. E que entre o vivo e o narrado há muita diferença. Sugeriu Sandra Pesavento que aborda a memória como uma narrativa. Contou uma situação que eu não compreendi bem de alguém que relatava algo que parecia verídico, até o momento em que disse: “quando Hitler veio a minha casa”. Isso para destacar como a memória é repleta de elementos da imaginação. Disse que a pesquisadora deve ter cuidado para não induzir as respostas com as perguntas. Que faltou mais coragem teórica. Outra preciosidade: Tem um momento que é preciso desapegar. “Eu conheço gente que vai falar sobre Jogos em Pequim e começa na Grécia? (Por acaso lembrei de algo...) E passou para os procedimentos metodológicos? – como se construiu isso? Por que das escolhas? Qual foi o processo? (Ah, então, é isso?) Falta um certo alinhavo. Outra pérola: “O trabalho não acaba. A gente é que abandona ele!” E finalizou dizendo: O texto tem uma intensidade! Bem, vindo de quem?

Passamos para a Inês. Um trabalho fundamental. Uma apresentação excelente. Concordo com a Silvana que não tem problema. É preciso ir afunilando o tema. E não dá para deixar para depois. Tem que fazer desde agora. Vai ficar uma leitura agradabilíssima, maravilhosa (olha a palavra aí de novo). As entrevistas tem coisas importantíssimas.  Tudo isso do lixo é maravilhoso (já enjoei), mas, como tu vais relacionar?

A Betha interrompe para complementar a idéia é consegue se sair com aquelas coisas dela: “eu estava aspirando a casa...”

Voltando a Inês: é muito interessante esta abordagem porque é em cima de impressões. Tu coloca tudo, mas, de um modo jogado. Falta link (disse ela esta palavra algumas vezes). É um trabalho muito humano, muito sensível.

Vamos para a Mirna: Uma apresentação muito linda. Particularmente emocionante. A imagem e a música. Um trunfo do trabalho tem a ver com experiência das pessoas.

Sugeriu Walter Beinjamin.

Estás falando do Grupo Tear e no teu trabalho falta esta trama. Sugiro reconstituir o espetáculo cena a cena, usando a estrutura do próprio espetáculo para organizar o trabalho. Voltar ao Le Coq que é a referência maior da Lena. Sinto falta da tua memória sobre o espetáculo, da repercussão em ti. O objeto é o Rei dos Vagabundos. É esta narrativa pessoal que vai estruturar o teu trabalho. Este espetáculo acabou? Não acabou?

Coisas práticas: cuidados com os parágrafos. Afirmações categóricas de onde vêm? Quem fala é a pesquisadora ou a pesquisadora apaixonada? Na página 8 tu fala em corpo, depois, nunca mais tu tocas no assunto e a Lena sempre teve uma posição muito especial sobre isso. Os corpos destes atores foram alterados pelo trabalho da Lena. Não temos memória? Temos, tanto que tem alguém fazendo um trabalho sobre."

 

Qualificação!!!!!

Sexta-feira, dia 31 de Julho, entreguei minha dissertação para a qualificação!! Já escolhemos a data: 04 de Setembro! Seja o que Zeus quiser!!!

 

The Lark

Há meses venho procurando este texto que Laurie Anderson recitou no show Homeland em Setembro.

Acabei de achar, em inglês. Até que minha Memória não estava tão ruim e lembrei boa parte...

The Lark

Before the world began, there was just sky.
No earth, no land.
Only air and birds everywhere.
Billions and billions of birds.
And one of these birds was a lark and one day her father died.
And this was a really big problem
because there was no place to put the body
because there was no earth.
And it went on for five or six days and
they were all trying to think of what to do with the body.
And finally the lark had a solution:
She decided to bury her father in the back of her own head.
And this was the beginning of memory.
Because before this no one could remember a thing.
They were just constantly flying in circles.

Constantly flying in huge circles.

Descobri também que este texto é, ora vejam,  uma citação de As Aves de Aristófanes!

Gabriel Villela cita Lena e os Reis...

 

 

"A cena brasileira tem algumas montagens teatrais antológicas. Cite algumas que tenham sido marcantes em sua vida. 

De Antunes Filho: Macunaíma, Nelson 2 Rodrigues e Vereda da Salvação. De Zé Celso: Hamlet, Cacilda! e Boca de Ouro. De Luiz Carlos Vasconcelos: Vau da Sarapalha. De Maria Helena Lopes: Os Reis Vagabundos e Crônica da Cidade Pequena. Do Pessoal do Victor: Na Carrera do Divino. As Lágrimas Amargas de Petra von Kant com Fernanda Montenegro, Juliana Carneiro, Renata Sorrah, direção de Celso Nunes. De Ulysses Cruz: Velhos Marinheiros. Lua de Cetim, de Alcides Nogueira, direção de Marcio Aurélio. Gota d'Água, com Bibi Ferreira. O Passaro Poente de Soffredini com Paulo Yutaka, direção Marcio Aurélio. A Máquina, de Adriana Falcão, com direção de João Falcão. A Aurora da Minha Vida, de Naum Alves de Souza. "

Domingo, 30 de Janeiro de 2005 
Antologia pessoal 

Com a palavra, Antunes Filho!

 

"Mário Prata: Antunes, é o seguinte: você falou antes que você lê espetáculo muito bem. Eu não tenho a menor dúvida e é bem dentro do que a Soninha estava falando. Que espetáculo brasileiro nos anos 1980 que você leu com satisfação? Quem são os diretores que você teria lido com satisfação?

Antunes Filho: Maria Helena, do sul [
 Maria Helena Lopes
], do Rio Grande do Sul]. Eu acho essa aí uma grande diretora de teatro. 

Mário Prata: Sei.

Antunes Filho: Eu acho que ela é extraordinária diretora de teatro... Mesmo quando ela erra, ela é extraordinária, sabe?

Mário Prata: Quem mais?

Antunes Filho: Eu gostava do Naum [Naum Alves de Souza, diretor de teatro e dramaturgo, destacando-se também como cenógrafo e figurinista]. Não sei como é que está o Naum atualmente... Zé Celso [José Celso Martinez Corrêa, diretor, autor e ator. Fundou, juntamente com Renato Borghi, o Teatro Oficina] eu gostei, não sei como será agora, não sei como será.

Mário Prata: Não, vamos para 80 vai, fora [excluindo] Maria Helena...

Antunes Filho: Mas eu gosto muito da Maria Helena, eu sou apaixonado pela obra dela."

Programa Roda-Viva  - 12/6/1989

Entrevista emocionante!

Ontem fiz minha primeira entrevista para a dissertação!

Entrevistei a maravilhosa atriz Nazaré Cavalcanti que estava no elenco de Os Reis...

Eu estava tão nervosa e ela foi tão carinhosa com meu projeto,que sai de lá nas nuvens!

Nazaré: eu espero poder retribuir, com minha dissertação, ao carinho e emoção que me passaste no teu depoimento!

Os Reis Vagabundos à Luz da Memória...

Por enquanto, este é o título do meu projeto.

Entrando na reta final...

Passado alguns meses... 5, para ser mais exata, cá estou eu já tendo passado por vários estágios: euforia, desespero... Já travei e destravei algumas vezes...

Agora, começando a me preparar para as entrevistas e inicio da dissertação, propriamente dita, para a qualificação entre Maio e Agosto.

Umberto Eco e seu livro 'A Misteriosa Chama da Rainha Loana', embora sendo um romance, têm me auxiliado bastante a elaborar a estratégia de investigação do meu objeto.

 Este dia foi muito importante pra mim: aproveitamos a quinta-feira da Semana Santa, que foi feriado para a Universidade, e nos encontramos na casa da Helena para trabalhar! Discutir e destravar os projetos. Me deu um novo gás!!

Aliás, tenho que dizer o quão importante os encontros com os colegas são! Nunca tinha visto um grupo tão unido, interessado!

Sempre um ajudando o outro! Muito bacana! Quantas dicas, toques, carinhos eu recebi de vários colegas durante este ano em que estamos juntos nesta empreitada! Uma turminha super especial, sem dúvidas, que eu estou tendo a oportunidade de compartilhar minhas loucuras, alegrias, angústias!

Bate-papo com meu 'objeto' de pesquisa...

Na tarde do dia 07 de Novembro passei uma tarde agradabilíssima com a Lena. Ficamos umas 2 horas e tanto papeando e conversando sobre ela e seu trabalho.

Estou aqui transpondo pra texto a gravação que fiz desse encontro emocionante, pra mim. Só tenho que agradecer à ela tanta gentileza e atenção!

Laurie Anderson e a Memória

A maravilhosa Laurie Anderson abriu o 15º POA Em Cena que este ano tem como homenageado, meu querido Ivo Bender. O maior dramaturgo gaúcho não só na minha opinião!

Bom, o show da Laurie foi sensacional! Decepcionou apenas os saudosistas que achavam que ela iria fazer os mesmos shows da década de 80!!!

Foi um verdadeiro 'show-poema' mesclando momentos super intimistas com outros altamente políticos. De lavar a alma!

Como disse minha querida amiga e colega Cibele Sastre: 'Laurie tb é Líquida!'

De quebra, ela quase me mata do coração já na primeira música, The Lark, aonde ela conta, simplesmente, como surgiu a Memória!

Como o CD Homeland só será lançado em Março de 2009, não achei a letra, então tive de apelar para a minha 'parca' memória:

A Cotovia - The Lark (Laurie Anderson)

Há muito tempo atrás. Num tempo em que não existia terra apenas ar,

água e pássaros.

Os pássaros então voavam sem parar. Em círculos.

Pois não havia aonde pousar. Porque não havia terra aonde pousar.

Um dia, o pai de uma das cotovias morre e ela não sabe o que fazer com o corpo.

Pois, como não há terra, não tem onde colocar o corpo. Não tem como enterrá-lo.

Todos pensam e não conseguem achar uma alternativa.

Após alguns dias, a cotovia consegue, finalmente, descobrir o que fazer com o corpo do pai:

ela decide então enterrá-lo na parte de trás de sua cabeça. 

Surge assim a MEMÓRIA!

Pois, antes disso, ninguém lembrava de coisa alguma!

 

À Luz da Memória

Hoje vou numa palestra chamada Questão de Memória (a memória e a memória cultural) e os convidados são Iván Izquierdo (médico e cientista especialista em memória) e Miriam Avruch (historiadora, museóloga, Coordenadora da Memória Cultural/SMC) no Museu Joaquim José Felizardo na Cidade Baixa!!!

Estava enlouquecida porque hoje tem entrega de Prêmio especiais do Sated e a Lena iria receber um dos prêmio. Teria que escolher entre um e outro e escolha sempre é algo penoso. Fica sempre a dúvida: será que escolhi certo? E se??? Mas a Lena não está em POA, segundo minhas fontes 'backicas' (hehe), então...

Tô louca pra ouvir o Iván falar!

Primeiras palavras

Enquanto eu terminava o primeiro dos dois textos de Marianne Van Kerkhoven pra aula de amanhã, Kharla ajudava Victória a aprender a escrever seu nome... E ela escreveu direitinho! Foi emocionante!

Como aquele comercial de cartão de crédito: O mestrado tão esperado... As primeiras palavras escritas de sua filha... não têm preço!

Salto no escuro!

Marina Lima na Rolling Stone de Julho: "E a criação é como dar um salto no escuro, ela não existe até você criar. Tem um pouco de medo do abismo. Mas, quando você corre o risco, o prazer é muito maior.(...) Quando faço música, tento espelhar o que quero que minha vida seja. É aquela máxima de querer que sua vida esteja à altura de sua arte e sua arte à altura de sua vida. Já disse numa música; 'Eu sou difícil.' E sou difícil também na vida real. Não barateio meu sexo, meu desejo. Quero tudo o que há, mas não numericamente. Quero o melhor. Isso é minha vida real e se espelha radicalmente na arte"

Estas palavras são um alento pra mim. Sei que escolhi dar um passo grande, mas sei que é isso que eu quero! É o que está me fazendo feliz e me deixando com uma excitação enorme pra fazer um bom trabalho e à altura da minha vida e, mais do que tudo, à altura da vida da Lena!

Poderia, tranquilamente, me deixar levar pelo mais 'fácil' e 'certo' que seria um painél sobre a vida e obra dela, também de suma importância, mas me embrenhar pelo terreno nebuloso da memória individual e coletiva é mais gostoso e mais difícil também. Mas como bem disse Marina (uma constante na minha vida!): "quando você corre o risco, o prazer é muito maior!"

"E onde que vai dar, onde é que vai dar, não sei' (O Chamado - M.Lima e A. Cícero)

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