"A corrida foi grande para estar lá às 9h. Felizmente, nada havia começado. Ia passar de “fininho”, pensando em ser discreta apesar de estar de chapéu preto (uma homenagem aos Reis Vagabundos) e botas de salto alto. Betha, porém, já me deu um caloroso abraço e comentou que não haveria mais necessidade de gravar, pois eu estava ali para relatar tudo. Ela tem sido uma das colegas que vem me deixando feliz por ter aprendido a anotar o que acontece e adquirido a capacidade de colocar isso em texto. É o que vou começar a fazer agora.
Seu orientador, Gil, informa que vamos assistir a apresentação de Elizabeth Medeiros Pinto sobre Os Reis Vagabundos e as reminescências no Tear de Penélope. Na banca, Mirna Spritzer, Inês Marocco e Silvana...(Sinto. Não sei seu sobrenome). Betha começa dizendo que a vida era engraçada pois, há 29 anos atrás, ela estava nas escadas da sala Álziro Azevedo, aguardando a sua 1ª aula. E agora ali estava, neste local de “muita emoção e memória”. Betha faz vários agradecimentos, a nós, inclusive, um grupo que, segundo ela, também vai ficar na memória. Registra a presença de sua companheira e de sua filha Vitória. Logo depois, começa a explicar o título e fala de Penélope e de Paris. Pronto! Lá vinha a minha memória interferir.Em meu primeiro emprego como jornalista, um dos diretores da Sociedade Amigos de Tramandaí, onde fui assessora de imprensa, se intitulava Paris. Naquela época, jamais imaginaria que faria teatro e muito menos compreendia que ele estava usando esta personagem da história grega para jogar seu charme.
A maneira clara e precisa que Betha estruturou seus primeiros slides demonstrava que ela havia conseguido achar seu foco, que diante de todos aqueles caminhos que haviam surgido em sua mente inquieta, ela havia conseguido encontrar um que lhe parecesse o mais significativo. Vimos ela listando seus referenciais teóricos, apresentando seu sumário, destacando o seu problema e comentando sobre o que ela chamou de “alinhavos”. Leia-se: considerações finais. Durante este tempo ela se manteve em pé, fazendo gestos precisos com as mãos que são uma de suas características, enquanto contava como tudo tinha começado. Talvez, seja importante dizer que Betha é a única pessoa que conheço que pode dizer em um momento como este que correu até o banheiro e começou a escrever, com naturalidade e de tal forma que mesmo os mais acadêmicos terão dificuldade em criticá-la. Carismática, ela mistura sua pesquisa, sua família, seus amigos, suas paixões. Faz uma grande teia. Mas, hoje, ela estava no domínio de tudo isso. Cita Lehmann, cita Walter Benjamin que afirma: “um acontecimento vivido é finito ao passo que o acontecimento lembrado é sem limites”. De quem era a esterinha? Pergunta Betha, depois de ter ouvido suas entrevistadas divergirem sobre o assunto. Ela mesma responde que não importa. Este objeto que uma das atrizes do espetáculo estende no palco, na memória de uma era minúsculo, na de outra não.Para explicar isso, Betha fala de Ivan Izquierdo que explica que somos capazes de criar falsas memórias. Betha faz uma lista das cenas do espetáculo: do ônibus, da galinha, do guarda-chuva automático, dos ceguinhos cantores, da praia, estrada da vida, do banquete de bolhas de sabão, dos presentes no dia dos namorados, do Natal, da inundação, do foco de luz, atravessando o guarda-chuva, do banho de sol. E acontece comigo algo estranho. Não tenho lembrança de ter assistido a este espetáculo, não li o texto da Betha, no entanto, enquanto ela acrescenta informações a algumas destas passagens, eu quase as visualizo. Fico em dúvida: assisti ao espetáculo e não sou capaz de lembrar? Ou nunca o vi e tenho “memória” dele? Ah, por isso, a Betha diz que sua pesquisa era uma verdadeira loucura. E pelo jeito contagiosa. Betha explica que fez um capítulo sobre as entrevistas, um making off, onde ela relata coisas que aconteceram durante este processo, incluindo o dia em que foi fazer a entrevista um dia antes da data marcada. Ela é assim. Diante dos seus avaliadores, expõe suas fragilidades, com uma honestidade desconcertante. Conta que Maria Helena disse que daria a entrevista, mas que fala: o que tu vais me perguntar? Neste momento, recordo a entrevista que fiz para o meu trabalho de conclusão da faculdade de comunicação. Fui entrevistar Flavio Alcaraz Gomes sobre o caso que o levou a ficar preso durante um tempo, pois ele atirou contra uma moça que estava parada diante de sua casa. Meu TCC (claro, que ainda não se chamava assim) era sobre cobertura jornalística criminal. Quando cheguei no prédio da Zero Hora, diante dele, ele me disse: “Deixa eu ver as tuas perguntas”. Algo que os estudantes são instruídos a não permitir. Mas como diria não a um jornalista destes? Lembro que ele olhou o meu bloco rapidamente e me atirou de volta, mas respondeu as minhas perguntas. Acho muito pouco provável que ele lembre deste momento, eu, jamais o esqueci.
Voltando para o quebra-cabeça, como a Betha, chamou o seu trabalho, ela comenta que espera que por este caminho de uma estética da polifonia de todas as suas fontes ela tenha conseguido registrar o trabalho tão importante de alguém como Maria Helena Lopes e do grupo TEAR e parte para a apresentação das fotos do espetáculo, associadas a música que mesmo para quem não sabe tudo que o teatro provoca é emocionante.
Chega a hora da banca. A primeira a falar é a doutora convidada da ESEF. Ela começa justamente a falar da memória que tem da Betha. Sua aluna em 1993 na Educação Física. “Ela era destas alunas que amedrontam a gente”, diz ela, mas já indicando um forte afeto. Destas que, segundo ela, estão sempre atentas e nas quais a gente acaba pensando quando prepara as aulas. Comenta que parece que a qualificação foi ontem (ah, não somos só nós que achamos). Diz que houve um salto qualitativo, que antes faltava foco, mas que agora há uma escolha. Volta a afirmar coisas que disse nesta época. Da importância do registro para o teatro no RS e tece vários elogios ao texto, a emoção que aparece a cada página, a fluidez da linguagem e que mostra também as fragilidades. Chega a dizer que para alguns não seria um trabalho acadêmico, mas salienta que não é o seu caso. Diz que ler o texto a levou a pensar onde estava em 1982 (ah...) e que ficou arrepiada com a apresentação das fotos do espetáculo sem nunca o ter assistido. Provavelmente, segundo ela, porque traz à memória as utopias de uma época, as crenças.
Neste momento, entra na sala Ivo Bender. Mesmo para quem não sabe de quem se trata fica claro que acaba de aparecer uma figura importante para os que estão ali e o rosto da Betha se ilumina quando o vê e com razão: é um forte sinal de prestígio ao trabalho que ela acaba de realizar.
A banca segue. Passados vários comentários favoráveis, chega a hora dos apontamentos. Silvana diz que não está convencida dos seus “diálogos” com Walter Benjamim, nem com Sandra Pesavento. É categórica ao mandar tirar uma nota que, segundo ela, nada acrescenta. E questiona se Betha enebriada por sua própria pesquisa não teria feito uma imagem muito positivada do espetáculo. Sente falta da tensão. “Não teria Maria Helena Lopes dirigido também tua pesquisa?” Em seu tempo de resposta, Betha diz que sempre tem as coisas chatas, mas que ela preferiu a luz ao lado obscuro (Coisas de Betha). De qualquer forma, Silvana encerra dizendo: parabéns! Na minha cabeça, surge o placar: 1X0.
Hora da Inês que diz que não estava no Brasil na época da peça. Estava fazendo o Le Coq. Poucas pessoas sabem dizer isso de um jeito humilde. Ela sabe e conta que conseguiu através da pesquisa da Betha entender e visualizar o espetáculo. Afirma que é um trabalho muito sensível e que ela gosta muito da forma como a Betha escreve. “Não conseguia parar de ler.” Afirma que é uma grande contribuição para o teatro do Rio Grande do Sul. “Maria Helena Lopes merece vários trabalhos acadêmicos.” Inês explica que entendeu o clima, a atmosfera do espetáculo pela descrição do texto. Também comenta o salto qualitativo da qualificação até hoje. Elogia a apresentação da Betha e diz que sente falta de explanações que foram feitas ali e que não estão no texto. Lembra que a proposta deste espetáculo surgiu de uma “tarefa” proposta no próprio curso do Le Coq quando os alunos deviam achar um tema, fazer uma enquete e criar o espetáculo. Foi assim que surgiu Os Reis vagabundos. Também manda excluir a tal nota. Indica algumas correções e começa a repetir: “depois eu te mostro”. Chega a dizer que anotou alguma coisa sobre uma nota de rodapé da página 46, mas que já não lembra o que é. Coisas de Inês, eu diria, que não termina sem dizer: bárbaro, muito bom, super bem construído. 2X0.
Faltava a Mirna que primeiro comenta a coragem do trabalho e destaca a linha tênue entre o acadêmico e o confessional, mas já diz que Betha dá conta disso. Para em seguida comentar que avisará onde ela não dá conta. Diz que desta vez não chorou para não borrar os olhos. (Conhecendo a Mirna acho melhor ela comprar uma maquiagem à prova d’água). Ela explica que o seu olhar também é afetado pela sua relação com o espetáculo e que fica orgulhosa de ver que o programa, mesmo recém-nascido, já está conseguindo fazer registros deste porte. Comenta que lembrar algo é atualizar este algo e que o que seria uma falha do teatro, a efemeridade, acaba sendo corrigida pelo que deixa em nossa memória. “Não vimos todos o mesmo espetáculo, mas fomos todos afetados”. Levanta alguma polêmica quando acha que a relação com Ivan Izquierdo é importante, mas reconhece que o seu olhar possa estar contaminado.Mirna destaca que o trabalho valoriza academicamente todo o processo do espetáculo e que desta forma valoriza a todos nós, atores, pesquisadores, professores e usa uma palavra que faz parte do seu vocabulário dizendo: “tu nos brinda com estes registros destes clowns que são os mais bonitos que já assisti: solitários, arrogantes, infantis.” Segundo ela, a compreensão de clowns da Maria Helena Lopes é algo muito complicado de ser reproduzido e diz que saber que ela só apareceu com os narizes de palhaço bastante tempo depois do começo dos ensaios a faz pensar que a Maria Helena é ainda mais brilhante do que ela já supunha.Mirna, porém, é enfática ao dizer que o tom de excessiva familiaridade da Betha que trata todos como seus amigos ficaria melhor no making off para atender, inclusive, o desejo dela própria de dar o devido destaque, a devida consideração a esta diretora e a este grupo. Diz também que o que a Betha prova não é que o espetáculo é especial, como ela havia colocado como problema no início, mas que o espetáculo não termina. Mirna acha que as considerações finais (alinhavos) estão muito sucintas. E antes de continuar...reage a música que não para nunca vinda da rua (que já vinha me atordoando há muito) dizendo: “nossos colegas latino-americanos são insuportáveis”. Só a Mirna mesmo.
Concluindo ela diz que acredita que seria interessante acrescentar ainda onde estão hoje estas pessoas que fizeram parte do espetáculo. Mirna defende que isso seria uma forma de reforçar estaideia de continuidade já que são pessoas que seguem criando e produzindo e colaborando para a cultura e para as artes.
Feito. 3X0. Mais uma mestra! "
* Helena Mello é jornalista e minha colega (e amiga) de Mestrado. Sua dissertação foi 'A crítica teatral na era digital'
Estou entrando na reta final da dissertação. Falta ainda encontrar com o Fábio na sexta-feira e fazer um fechamento antes de mandar pro Gil ler e aprovar.
Kharla me ajudou bastante lendo, revisando e "palpitado" (ela acha que uso "aspas" demais! rs)
Mudei o nome do trabalho! Nesta foto dá pra ver que estou bem acompanhada pelos santinhos que a Dani Aquino me deu!
Estou seguindo com as entrevistas e, a cada bate-papo mais claro fica, pra mim, a relevância deste projeto. E, por conseqüência, mais aumenta a minha responsabilidade em contar bem esta história.
As entrevistas com a Angela Gonzaga e o Marco Fronchetti, nesta semana, foram um prazer incrível! Foram horas de papo e lembranças gostosas e cheias de emoção. Aliás, falar sobre esta peça suscita muita emoção.
Ainda tenho, esta semana, um encontro com o Roberto Mallet que não vejo há uns 20 anos! Ele foi escriba da montagem e deve ter muita história boa pra contar.
No momento, dizem que é de praxe, estou um tanto travada com a tal da 'Sindrome da pós-qualificação'.
Porém, felizmente, quem tem amigos tem tudo! E minha querida amiga e colega Helena Mello conseguiu registrar quase estenograficamente, todas as falas da minha banca! E esse relato está me auxiliando bastante. Melhor impossível!
"Palmas para os vagabundos
Pensei que pudesse estar atrasada para a qualificação da Betha. A última vez que cheguei calmamente ao departamento, meu relógio estava errado. Mas, sai sem tomar café e precisava pelo menos comprar uma água. Cruzo a porta e esbarro na Betha sorridente com aquele chaveiro fashion laranja na mão. Éramos as primeiras. Mas, não demorou muito para que já estivéssemos na sala. Além do Gil, na banca a Silvana Goellner da ESEF, a Mirna e a Inês Marocco. (...)
Na “platéia” Rô, Cibele, Laura, Dani e eu.
A Betha parecia tranqüila e disse que, numa época de circulação do vídeo da Vanusa cantando o Hino do Brasil todo errado, o melhor seria ler o texto que ela havia escrito. Mas, ela fez isso de um jeito muito leve, entremeado de comentários que até agora não sei se estavam lá escritos ou se ela foi falando de improviso.
Teceu elogios rasgados a toda a turma. Falou até da Sede, o que fez com que a Mirna se virasse para mim e perguntasse: “é a tua casa?”. Daí, nossa mestranda vestiu a camiseta do projeto, literalmente falando. Linda por sinal. (Betha, pode me dar uma no Natal). Começou a apresentação do seu Power point. O texto A cotovia de Laurie Anderson, nossos já tão conhecidos Marco de Marinis, Bakhtin, Kristeva e chegava a hora de um vídeo sobre os catadores de lixo. Estávamos no ano de 1982. Situação política e teatral. Bom, não vou ficar descrevendo slide a slide se não vão ser muitas páginas. Mas, algo que eu achei engraçado é que mesmo quando a Betha esquecia as palavras parecia que fazia parte da pesquisa. Afinal, ela disse que falaria da memória.
Fotos do espetáculo. Música: “Nesta longa estrada da vida...”. Gil bate palmas. Mirna chora. Sim! Lágrimas escorrerem pelo rosto. Betha, visando a qualificação, além de colocar água nas mesas para a banca (sabe-se lá com que substância, uma encomenda feita para a Inês da Bolívia, como ela mesma disse), também tinha lenços de papel para oferecer para a nossa “flor de maracujá”.
Só então, a banca foi para os seus devidos lugares e a professora convidada começou. “É maravilhoso o que tu estás tentando fazer...” (como eu gostaria de ter escutado isso em algum momento...) Algo que considero mereça registro é que Silvana disse que no campo da historiografia parece que a cultura não tem importância nenhuma. Não tinha! Isso foi antes desta pesquisa. Também comentou que a palavra mais precisa não é “recuperar” o espetáculo, mas, “reconstruir”. Fez questão de destacar a autoria, o envolvimento com o tema e disse que é muito importante este exercício de distanciamento e aproximação que está sendo feito neste trabalho. Registrei em minhas anotações outra palavra que acho que todos nós precisávamos ouvir: parabéns. Sugeriu garimpar as fontes. Comentou o impacto que a pesquisa causará na cena gaúcha e do quanto isto é produtivo. E disse categoricamente e gentilmente: tens um tema, mas, não tens um problema! (Isso me lembrou algo...). Perguntou: o objeto da pesquisa é o espetáculo ou a Maria Helena Lopes? Disse que é preciso deixar claro o que vai ser de fato olhado e o que vai ser reconstruído. Falou que as perguntas das entrevistas estão vagas e criticou a palavra “coisa” em uma delas. (Que coisa tu lembras da peça?). Observou que a memória é algo vivo. E que entre o vivo e o narrado há muita diferença. Sugeriu Sandra Pesavento que aborda a memória como uma narrativa. Contou uma situação que eu não compreendi bem de alguém que relatava algo que parecia verídico, até o momento em que disse: “quando Hitler veio a minha casa”. Isso para destacar como a memória é repleta de elementos da imaginação. Disse que a pesquisadora deve ter cuidado para não induzir as respostas com as perguntas. Que faltou mais coragem teórica. Outra preciosidade: Tem um momento que é preciso desapegar. “Eu conheço gente que vai falar sobre Jogos em Pequim e começa na Grécia? (Por acaso lembrei de algo...) E passou para os procedimentos metodológicos? – como se construiu isso? Por que das escolhas? Qual foi o processo? (Ah, então, é isso?) Falta um certo alinhavo. Outra pérola: “O trabalho não acaba. A gente é que abandona ele!” E finalizou dizendo: O texto tem uma intensidade! Bem, vindo de quem?
Passamos para a Inês. Um trabalho fundamental. Uma apresentação excelente. Concordo com a Silvana que não tem problema. É preciso ir afunilando o tema. E não dá para deixar para depois. Tem que fazer desde agora. Vai ficar uma leitura agradabilíssima, maravilhosa (olha a palavra aí de novo). As entrevistas tem coisas importantíssimas. Tudo isso do lixo é maravilhoso (já enjoei), mas, como tu vais relacionar?
A Betha interrompe para complementar a idéia é consegue se sair com aquelas coisas dela: “eu estava aspirando a casa...”
Voltando a Inês: é muito interessante esta abordagem porque é em cima de impressões. Tu coloca tudo, mas, de um modo jogado. Falta link (disse ela esta palavra algumas vezes). É um trabalho muito humano, muito sensível.
Vamos para a Mirna: Uma apresentação muito linda. Particularmente emocionante. A imagem e a música. Um trunfo do trabalho tem a ver com experiência das pessoas.
Sugeriu Walter Beinjamin.
Estás falando do Grupo Tear e no teu trabalho falta esta trama. Sugiro reconstituir o espetáculo cena a cena, usando a estrutura do próprio espetáculo para organizar o trabalho. Voltar ao Le Coq que é a referência maior da Lena. Sinto falta da tua memória sobre o espetáculo, da repercussão em ti. O objeto é o Rei dos Vagabundos. É esta narrativa pessoal que vai estruturar o teu trabalho. Este espetáculo acabou? Não acabou?
Coisas práticas: cuidados com os parágrafos. Afirmações categóricas de onde vêm? Quem fala é a pesquisadora ou a pesquisadora apaixonada? Na página 8 tu fala em corpo, depois, nunca mais tu tocas no assunto e a Lena sempre teve uma posição muito especial sobre isso. Os corpos destes atores foram alterados pelo trabalho da Lena. Não temos memória? Temos, tanto que tem alguém fazendo um trabalho sobre."
Há meses venho procurando este texto que Laurie Anderson recitou no show Homeland em Setembro.
Acabei de achar, em inglês. Até que minha Memória não estava tão ruim e lembrei boa parte...
The Lark
Before the world began, there was just sky. No earth, no land. Only air and birds everywhere. Billions and billions of birds. And one of these birds was a lark and one day her father died. And this was a really big problem because there was no place to put the body because there was no earth. And it went on for five or six days and they were all trying to think of what to do with the body. And finally the lark had a solution: She decided to bury her father in the back of her own head. And this was the beginning of memory. Because before this no one could remember a thing. They were just constantly flying in circles. Constantly flying in huge circles.
Descobri também que este texto é, ora vejam, uma citação de As Aves de Aristófanes!